O filho da revolução


Terminei a leitura do maravilhoso “Renato Russo, o filho da revolução”, de Carlos Marcelo. O texto é excelente e a trajetória apresentada é fruto de anos de pesquisas e entrevistas. A obra deixa claro o que os fãs da Legião Urbana já sabem há tempos: o brilhantismo de Renato é fruto de suas inquietações interiores. Ao menos nas páginas deste livro não há relatos de traumas ou dificuldades contundentes na história de vida do maior ídolo pop do rock nacional. A angústia na alma de Renato Russo vinha de fábrica. Talento nato.


Na minha mente limitada isso é um pouco difícil de entender, estou habituada com biografias mais sofridas. Renato não passou fome como os filhos de Francisco, não comeu o pão que o próprio pai amassou com Michael Jackson, nem foi torturado ou exilado durante a ditadura. Teve uma vida financeiramente confortável, morou fora, conviveu num lar aparentemente estruturado, enfim uma pessoa ‘normal’.


Mas, ainda na infância, quando ficou meses de cama após uma cirurgia no fêmur com dores que cessavam apenas com aplicações de morfina, Renato deixou claro a que veio: recheou as páginas de seus cadernos com histórias sobre uma banda inventada, com direito a históricos e entrevistas. Sua competência estava além do seu controle.


E a vontade de sacudir as estruturas de concreto da capital sem esquinas era compartilhada no mesmo tempo e espaço por muitos outros jovens. O punk brasiliense foi o germe do BRock-80, pois foram nos blocos, quadras e eixões construídos sobre a batuta de JK que Herbert, Dado, Dinho, os irmãos Lemos e muitos outros, se entregaram a música.


Mas nada despertou mais a minha atenção do que os trechos relacionados a Dinho Ouro-Preto que, hoje, lota estádios em qualquer lugar do país a frente do Capital Inicial. Dinho tentou tocar alguns instrumentos, mas não se sentiu satisfeito... Queria integrar a mudança que estava para acontecer, mas não encontrava espaço... Quando seu irmão Ico saiu da banda de Renato, achou que sua hora havia chegado, mas não foi convocado. Entrou no Capital, formado pelos ex-companheiros de Renato na banda Aborto Elétrico.


Na crista da onda do BRock- 80 a banda vendeu bem seu primeiro LP, mas Dinho teve que ouvir de Renato: “Como vocês vão fazer no próximo disco sem o seu principal letrista?” Referência as suas composições dos tempos de Aborto incorporadas ao repertório do Capital.


O resto da história quase todo mundo conhece: durante um longo e tenebroso inverno para o rock nacional, os ritmos pagode-sertanejo-axé dominaram as paradas de sucesso, levando Renato a entoar os versos: “os meus amigos todos estão procurando emprego / voltamos a viver / há dez anos atrás / e a cada hora que passa / envelhecemos dez semanas” (Teatro dos Vampiros). Dinho afirmou em entrevista ao canal Multishow que esse foi o pior período, pois chegou a ficar um ano sem tocar, coisa que não acontecia desde a adolescência. Na mesma entrevista Dinho citou a mudança com o retorno da banda as paradas: “Agora nós somos considerados uma grande banda”.


Me deu vontade de ler a biografia do cara, mais que isso, senti vontade de escrevê-la... E isso não tem nada a ver com a minha tara antiga pelo Ouro-Preto...
Mas, se ele me ligar, quem sabe?



Então, eu fiz aniversário

... De novo, graças a Deus. E no dia pensei em escrever um post sobre o assunto, algo bem alegre como o do Murilo ou emocionante como o da Enne, mas a idéia não veio. Só lembrava daquele lance de que “a história se repete em espiral” porque, aos 31, meu marido tem o mesmo nome do meu namorado aos 13, achei um pouco estranho e engraçado.

Também imaginei um post listando os melhores presentes que já recebi e aí, realmente, ficou impraticável. Do Ken (namorado da Barbie), elegantemente vestido de terno e gravata borboleta, a caixa com todos os cd´s da Legião, passando pelo vaso de cactos, o tênis laranja, o cordão com moeda furada no meio (igual do cara do Barrados no Baile) e o dicionário de sinônimos tudo parecia merecer entrar na tal lista. Cada item lembrava uma pessoa ou situação e no fim das contas seria uma biografia... Aí eu desisti do post e deixei o blog aqui, em repouso virtual, seguindo o conselho da Pitty que de vez em quando sai de cena pra ‘inflacionar’ os comentários.
No sábado recebi uns amigos aqui em casa. Não amigos do trabalho ou da faculdade ou do segundo grau... Amigos da vida toda. Gente que eu nem sei dizer quando ou como conheci porque nem me lembro da minha história antes deles, só sei que eles estavam lá e me fez muito bem encontrá-los de novo. É bom manter contato por e-mail, telefone e Cia, mas não há nada como ficar frente a frente com o outro e identificar os trejeitos, o modo de falar e a risada que você conhece há vinte anos.
Com eles por perto eu me dei conta que tinha algo para escrever, uma mistura das idéias anteriores, afinal eles são um grande presente e estão sempre na minha história. E eu pretendo que continue assim. Quero ver a cara do Bito quando a Isabelle apresentar o primeiro namorado, quero ver a habilidade do Mangão para trocar fralda (se possível de gêmeos!), quero saber se os herdeiros da Magna terão um boletim impecável, quero saber se o Douglas sempre passa raspando como o pai... Quero sempre essa sensação de ter para quem voltar.
Dei uma olhada rápida em volta e percebi que pouca gente tem essa sorte de manter ou resgatar amizades de tanto tempo... E você? Qual o amigo mais antigo ainda esta presente na sua vida?

Nara Leão



Terminei essa semana a leitura da biografia de Nara Leão. De autoria de Sérgio Cabral o texto parece, por vezes, tranquilo demais, quase como uma melodia de bossa nova... Mas a vida desta admirável artista não foi feita apenas de harmonias perfeitas.
As constantes reuniões dos futuros grandes nomes da música brasileira em sua casa, o relacionamento com Bôscoli, a rejeição ao título de musa da bossa nova, o amor pelo samba e as pazes com o estilo que a consagrou são partes importantes desta trajetória que compõem também a história da nossa música.
O casamento com Cacá Diegues, a postura irriquieta durante a ditadura, a dedicação aos filhos, o suícidio do pai e a luta incessante e esperançosa contra um tumor no cérebro concedem ao leitor um outro perfil de Nara.
A detentora dos joelhos mais belos da música popular brasileira era destemida como um leão.

Azul Hortência



Era uma vez um castelo Azul Hortência. Nesse castelo havia uma longa escadaria ladrilhada com pedrinhas brilhantes. Os degraus levavam a uma torre bem alta e lá era possível ouvir a mais bela melodia...
De tempos em tempos, o príncipe e a princesa do castelo Azul Hortência reuniam naquela torre representantes dos mais remotos reinos. E assim, numa noite, era possível conhecer o Povo da Faculdade, conversar com os aldeões que residiam na Família e abraçar os bem aventurados guerreiros da Terra da Infância.
Todos que por ali passavam tinham seus temores abrandados e as alegrias fortalecidas. A magia do Castelo Azul Hortência avivava lembranças, apaziguava corações e abastecia a alma, pois a bela melodia que emanava da torre afugentava dragões e bruxas tão comuns nos contos de fadas. Havia naquele som uma magia mais poderosa que qualquer música.
O constante zum-zum-zum das vozes revelava o segredo dessa tal magia: todos ali, oriundos dos reinos mais dispares, queriam muito bem ao príncipe e sua princesa.
A mágica melodia era a amizade.

Barbie, a ambiciosa



Talvez você ainda não saiba [que sortudo(a)!], mas a cada semestre a Mattel lança no mercado uma animação protagonizada pela Barbie. Junto com cada produção vem uma série de brinquedos que levam as crianças ao delírio. Até aí, normal, né? Para desespero de Fidel o mundo é capitalista, a Mattel tem contas para pagar e lucro para acumular, enfim, quem comandará crianças num possível boicote?
O que me incomoda é a ambição da loira. No início a dinâmica era mais ou menos assim: um filme baseado no clássico Rapunzel renderia no máximo uma boneca da protagonista, um Bob/Ken de príncipe, um vestido e ponto. Mas, Barbie – a ambiciosa – não estava satisfeita e surgiu então, no ano passado, a animação “Barbie e o Castelo de Diamantes”, no qual a protagonista tem uma melhor amiga. E - parafraseando Mãe de Colega Enne – como Barbie ‘gosta mesmo é de homi’ para contracenar com ela e amiga a Mattel genialmente desenvolveu dois príncipes gêmeos. Assim, além do casal principal também foram disponibilizados para venda o casal secundário, sendo que os dois bonecos eram idênticos, afinal, eram gêmeos.
Bom, né? Fica melhor...
Como o nome sugere a animação tem: um castelo de diamante! Que só aparece no finalzinho do filme, mas, óbvio, foi comercializado assim como as musas, o cavalo alado e a carruagem.
Nota rápida: as musas são duas guardiãs que moram no tal castelo e passam o filme todo como estátuas de pedra, culpa da malvada Lídia que – surpreendentemente – não virou boneca. O cavalo alado e a carruagem também só aparecem no último minuto da história e apesar de não terem uma só fala viraram brinquedo. É mais ou menos como se o dalit da novela das oito que não pronunciou uma palavra no último capítulo surgisse como boneco.
Tá acompanhando? Longe de mim jogar o povo contra a Barbie, o que mais tem no quarto da Ariana são exemplares dessa magrela, com castelo e tudo. Só acho que o lance está meio exagerado.
Depois do castelo de diamante veio a ‘Polegarzinha’, com filme, boneca, amigas e mais uma pá de tralha. Mas, Ariana se absteve porque num tô aqui pra alimentar a ambição dessa loira.
Agora, o Natal promete! A sábia Mattel lançou em 12 de setembro – um mês antes do dia da criança – a animação ‘Barbie e as três mosqueteiras’. Ou seja, pelos meus cálculos teremos mais quatro bonecas, o que significa mais quatro versões do Bob/Ken, oito cavalos e é possível que os casais protagonistas tenham outros amigos, escudeiros talvez... E como essas ‘pessoas’ precisam de um teto, há um novo castelo a venda.
Até aí eu estava tranqüila. Certa de comprar outro Max Steel para servir de príncipe e seguir em frente. Afinal, como já foi citado o que não falta no reduto da Ariana é magrela. Mas eis que a Mattel decide me surpreender e dá asas a ambição de Barbie...
A carruagem de Barbie e as três mosqueteiras se transforma em balão!!! Fala sério, essa gente precisa de tratamento. Balão é muito pra mim.
E para fechar: Barbie será de carne e osso. A Mattel firmou acordo com a Universal para dar vida a loira. Naboa, eu que não aceitaria esse papel , é tipo aquele filme de terror em que geral morreu... zica na certa!

Herbert + Falcão + Flausino = super show!

Levar a um palco, na mesma noite, Paralamas do Sucesso, O Rappa e Jota Quest é uma fórmula certeira para abarrotar qualquer espaço com os tipos mais diferentes. Eu, que há muito abandonei essa vida de noitada não pude resistir.

O ponto chave num evento assim é garantir o convite. E os motivos são muitos: (a) ingresso antecipado sempre é mais em conta; (b) na hora do show a fila pode ser astronômica; (c) o preço do cambista na maioria das vezes não é sedutor; (d) sim, por maior que seja o local do evento, existe o risco de você ficar sem ingresso.
Observando essas quatro lições que só a vida ensina garanti meu ingresso ainda no primeiro lote e, como 70% da diversão esta na companhia, reservei também os convites de minhas fieis escudeiras dos áureos tempos.
Como moro perto do local do show esta prática de comprar o ingresso alheio é praxe. O problema é na hora da entrega...
Desde que me entendo por gente nunca fui a um show que começasse na hora. O cálculo é mais ou menos assim: o portão abre as oito, então, as meninas afoitas entram e grudam na grade garantindo o torcicolo no fim da noite de tanto esticar o pescoço e olhar para cima. As dez rola uma banda de abertura ou um DJ e talvez a meia-noite a atração principal esteja no palco. Mas quando temos no cardápio Paralamas do Sucesso, O Rappa e Jota Quest fica difícil discernir entre aperitivo, sobremesa e prato principal.
Imaginei que a primeira atração estaria no palco por volta das onze e fiquei na barraquinha da esquina com meu irmão esperando a trupe. Corrigindo: eu esperando a trupe; ele, as periguetes. Minhas fiéis escudeiras viriam de carona com meu fofo cumpadre, que, maleável como um esqueleto de adamantium, havia marcado a partida para as dez horas. Pela distância, com sorte e trânsito bom eles estariam lá em trinta ou quarenta minutos. Por isso, as 10h10 eu liguei pra saber a localização da caravana. Qual não foi minha surpresa a ouvi-lo dizer que o show estava começando naquele minuto?! O evento era promovido por uma rádio e de tempos em tempos eles transmitiam informações ao vivo. Ou seja, no carro a trupe ouviu os Paralamas serem anunciados.
Como as periguetes ainda estavam lustrando o piercing e meu irmão iria mesmo ficar do lado de fora deixei os convites com ele e parti. Foi uma sábia decisão. A apresentação foi bárbara, depois de tantos anos de estrada é natural que eles saibam conduzir um show tão majestosamente. Não faltam sucessos para emocionar e balançar a galera. Flui de maneira tão prazerosa que a sensação de ‘ué, já acabou?’ é inevitável.
Divertido foi observar os múltiplos estilos na mesma platéia. Enquanto Herbert cantava, o fôlego, os movimentos e a vivacidade dos maiores de trinta não deixavam espaço para os que nasceram na década de 80. Apenas nasceram, mas não ligaram o rádio. Todos sabiam entoar as canções, mas a curtição ficou a cargo dos jovens de espírito.
Quando Falcão subiu ao palco a maioria dos súditos contemporâneos de Herbert já estavam a caminho de casa. E aí eu entendi que talvez o show tivesse começado mais cedo do que o habitual em consideração a turma que já perdeu o pique. Ou quem sabe a banda tivesse compromisso em outro lugar.
Já havia assistido a um show do Rappa antes e a vibração continua a mesma. Às vezes, parece que só a segurança conseguirá tirar os caras do palco. Mesmo ávido por apresentar as músicas do novo cd, Falcão não se esquece das composições que atraem multidões. Ele não esta de bobeira.
Mais que um vocalista, Falcão atua como um bom mestre de cerimônias: agradece a oportunidade de tocar no mesmo evento com Paralamas e Jota Quest; saúda a platéia recitando sem tropeços o bairro onde está e adjacências e, para delírio da galera, pede por três vezes ao pessoal do Jota Quest para deixá-lo tocar mais uma, ‘só mais uma aê’.
Flausino e sua turma deixam, claro. Quem seria insano o suficiente para ficar entre o incansável Falcão e seus extasiados fãs? Ou talvez o Jota Quest ainda não estivesse no local, vai saber...
Se a maturidade havia debandado com a despedida de Herbert, o gran finale do Rappa serviu apenas para ampliar o espaço no campo, e foi possível ver a tribo que estava aguardando a banda mineira: os casais. O local não ficou vazio, mas quando o show do Jota Quest começou já era possível comandar os próprios movimentos, atitude difícil durante a apresentação dos Paralamas e, simplesmente, impensável com o Rappa no palco.
A banda apresentou um show virtuoso, reunindo sucessos, novas canções e até uma leitura tradicional do clássico Eu Sei, da Legião Urbana. O único problema foi Flausino ter tentado animar a galera de Campo Grande chamando o local, por cinco vezes, de Duque de Caxias.

P.S.1: meu irmão consegui entregar os convites, mas o povo conseguiu entrar Herbert já estava se despedindo.
P.S.2: um pouco antes do show do Rappa começar achei meu cumpadre e sua namorada no meio da multidão. Foi até mais fácil do que eu esperava.
P.S.3: após uma série de infortúnios [(1) ter chegado no tchau do Herbert, (2) ter se perdido da trupe na entrada do clube, (3) não conseguir ultrapassar a muvuca inicial e encontrar um bom lugar para curtir o show e, (4) descobrir que o celular dos demais envolvidos na aventura estava sem bateria] as fiéis escudeiras voltaram para casa antes que Flausino pronunciasse Duque de Caxias.
P.S.4: as periguetes passam bem, aos menos é isso que meu irmão Forrest insiste em dizer.

Última Parada 174



Li muitos artigos detonando o filme. Pessoas falando da falta de criatividade dos cineastas brasileiros que buscam o sucesso com a fórmula mágica do “cine-favela”, explorando ao máximo a selvageria urbana. Outros reclamavam da inclusão de personagens inventados desnecessários numa história real . E, claro, aquele velho discurso de que o filme justifica a violência, transformando o algoz em vítima.


Não foi bem isso que eu vi.


O filme narra a trajetória de Sandro do Nascimento, sobrevivente da Chacina da Candelária que, em junho de 2000, seqüestrou o ônibus 174. O resto da história, provavelmente, você acompanhou ao vivo pela TV na época da tragédia que culminou com a morte da professora Geisa Gonçalves e de Sandro. Partindo do princípio que o filme é sobre um menino de rua não me parece gratuito que existam cenas de roubo, uso de drogas e homicídios. Mas, na minha humilde opinião de telespectadora-não-crítica-de-veículos-especializados, nenhuma dessas cenas são exageradas, traumáticas ou incômodas. Estão lá, tão naturalmente quanto o beijo entre o casal protagonista no último capítulo da novela das oito.


A cena da chacina choca pela rapidez, ressaltando a facilidade com que a ‘limpeza’ nesse mundo é feita. Muito mais brutal é o trecho do filme ‘Show de Bola’ em que o traficante interpretado por Lui Mendes, obriga o personagem de Thiago Martins a matar o melhor amigo no ‘microondas’. ‘Última Parada 174’ é menos violento que o telejornal do horário do almoço.


A película é baseada em fatos reais, não um documentário. Coube a José Padilha diretor do documentário ‘Ônibus 174’ pesquisar, entrevistar e registrar a verdade nua e crua dos fatos. O filme de Barreto é apenas baseado nos tais fatos, o que lhe concede liberdade para completar o roteiro com a irrealidade inerente a um bom contador de histórias. E esse é o grande barato do filme. A todo minuto o longa convida o telespectador a pensar: E se... A casualidade torna a obra ficcional de Barreto tão verossímil quanto a própria vida. E terei que assistir com total atenção a película de Padilha para distinguir os limites entre ficção e realidade.


Apesar da frase ‘a maior vítima disso tudo é você’, proferida no filme por uma das passageiras durante o seqüestro, não me senti impelida pelo roteiro a enxergar o protagonista como mais uma vítima da desigualdade social. Visualizei apenas a boa e velha relação entre causa e efeito, algo do tipo ‘você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você’ e isso rola desde que o mundo é mundo, Eva não me deixa mentir...


A dinâmica entre a televisão e os personagens merece destaque. Enquanto no início do filme o aparelho mostra a contradição entre o que se sonha e o que se tem; no fim, a transmissão ao vivo da tragédia reforça a idéia de que a realidade está bem além do que se deseja.


Sem dúvida, o maior acerto do filme é recortar os momentos do seqüestro, evitando o erro que seria recriar as intermináveis horas de desespero dos envolvidos no drama. O ônibus é, de fato, a última parada.

E estavam livres da perfeição que só fazia estragos

Nunca poderia ter imaginado que vocês eram amigos. Mas deveria ter enxergado tal obviedade. Nós três conhecíamos as mesmas pessoas, freqüentávamos os mesmos lugares e, pensando bem, vocês tinham lá muita coisa em comum. Mas nunca pensei em esbarrar com os dois ao mesmo tempo.

Então, ao dobrar a esquina, vislumbrei a cena mais provável e que ainda assim não havia previsto. Na mesma roda de amigos, numa animada conversa, frente a frente... Naquele instante ficou claro que qualquer um teria uma rota de fuga específica para o momento, mas planejamento exige capacidade de antever as circunstâncias e parece que eu faltei a essa aula.
Tentei recuar, mas era tarde, vocês já tinham me visto e, cada um a sua maneira, demonstrado a alegria daquela casualidade. Você sorriu, discreto, certo de que a noite prometia. Ele largou a gelada, o bate-papo e os companheiros na mesa, caminhou rapidamente em minha direção, me girou no ar e aplacou a saudade com um beijo.
Você congelou, perplexo. Logo, formulou uma equação na qual o resultado era bem simples: todo momento longe de mim era uma oportunidade só dele.
Eu me adaptei ao cenário caótico, certa de que qualquer palavra ou gesto pioraria muito as coisas e colocaria em risco o outro vértice do triângulo. Na hora achei que não teria mais conserto, mas o tempo me surpreendeu novamente.
Aos poucos, sua decepção cedeu lugar a compreensão de que todo ser humano é falho e toda relação tende ao fracasso se dedicamos mais tempo a idealizar o outro do que a enxergá-lo. Enfim, você me viu, voltou e quando eu pude vê-lo também, temi e lhe dei as costas.
Naquela noite eu achei que a sua tristeza demonstrava que você gostava mais do que ele. E isso me afetou por um tempo. Talvez eu estivesse errada. Ele não teve pudores em me recepcionar e, as vezes, um afago público representa bem mais que sentimentos secretos. Vai saber a forma certa de mensurar o afeto?

A Minha Gratidão É Uma Pessoa
Composição: Nando Reis
Depois de pensar um pouco

Ela viu que não havia mais motivo e nem razão
E pode perdoá-lo
É fácil culpar os outros
Mas a vida não precisa de juizes
A questão é sermos razoáveis
E por isso voltou
Porque sempre o amou
Mesmo levando a dor
Daquela mágoa
Mas segurando a sua mão
Sentiu sorrir seu coração
E amou como nunca havia amado
Mas como começar de novo

Se a ferida que sangrou
Acostumou a me sentir prejudicado
É só você lavar o rosto

E deixar que a água suja
Leve longe do seu corpo
O infeliz passado
E por isso voltou

Pra quem sempre amou
Mesmo levando a dor
E aquela mágoa
Mas segurando a sua mão
Sentiu sorrir seu coração
E amou como nunca havia amado
E viveram felizes... para sempre

E eles estavam livre da perfeição que só fazia estragos

Acho que Hades faz hora extra

Em 14/03/94, perdi minha avó. Não uma avó que a gente vê de vez em quando, mas uma avó que morava a duas casas da minha onde nos fins de semana meus tios jogavam buraco a tarde inteira e onde os aniversários, dia das mães, natais e outros feriados eram sinônimo de casa bem cheia porque os tios traziam casais de amigos com filhos. Enfim era sempre festa.

Um ano depois (14/03/95), no mesmo dia, perdi um amigo por um disparo acidental. Amigo do tipo que a gente quer que seja namorado. E o fato da morte atingir um jovem, lindo, cheio de amigos e muito divertido foi meio traumático. Mas os amigos que ficaram se tornaram de fato meus melhores amigos e na hora que o bicho pega, só de estar perto e pensar no que passamos nesses 14 anos já fortalece.
Alguns meses depois perdi uma tia num acidente de carro. Não uma tia que liga no aniversário para dar os parabéns. Mas uma tia que estava todos os fins de semana lá em casa. Tia que me levava no Tivole Park, no Cristo Redentor, na praia e até na pracinha da esquina. Tia que me levou pra São João Nepomuceno onde passei ótimas férias e muitos carnavais e onde eu conheci a amiga que me apresentou aquele cara do parágrafo anterior.
Depois disso decidi que não era legal ficar marcando as datas e os anos das minhas perdas. Não há memória que aguente e você acaba se prendendo mais as coisas ruins do que as coisas boas. Larguei mão do tempo. Então não sei os dias nem anos, mas lembro dos momentos claramente.
quando estava na faculdade, perdi um amigo de infância com 18 tiros e imagino que estas balas não estavam perdidas. Amigo que ficava cochilando no sofá ao lado da minha cama quando eu ficava doente, amigo que ia comigo pra pracinha e tentava influenciar a escolha dos meus namoricos. Amigo que escrevia pra mim quando estava estudando fora.
Depois perdi meu avó, que morava com a gente e com quem eu discutia muito porque ele era bem malandro. Com vários problemas de saúde ele não andava direito o que deixava minha mãe muito preocupada e quando ela estava em casa ele a usava como muleta. Inúmeras vezes, quando estávamos só nós dois ele circulava do quarto pra cozinha pra tentar pegar alguma comida proibida e depois vinha pra sala assistir TV comigo. Andava com dificuldade, mas não precisava de ninguém pra isso. E quando dava a hora da minha mãe chegar eu avisava: “Oh, minha mãe tá vindo aí.” Bem depressa ele voltava pra cama como se tivesse passado o dia todo ali olhando pro teto. Esse era o motivo das brigas, eu sabia que ele dava volta em geral.
Perdi um ex-namorado por problemas cardíacos. Não um rolo que a gente encontra numa festa ou outra, mas alguém que a gente encontra todo o fim de semana durante um ano e só separa porque é bem mais fácil deixar cada um com os seus problemas do que arregaçar as mangas e tentar ajudar. Estava em São João com as minhas amigas no fim do carnaval e não conseguimos trocar as passagens pra chegar a tempo do velório.
Também perdi a Paixão, mãe da minha priminha Lud. Alto astral, sempre de batom e salto mesmo dentro de casa. Sempre que escrevo me lembro de como ela ficou encantada com o meu primeiro texto no jornal da faculdade. Não poupou elogios e foi pra cozinha fazendo alarde pro restante da família Nascimento. E nessa família também perdi minha vó Irene, que na hora da despedida não cansava de dizer ‘você já vai embora, durma aí’ mesmo quando eu já estava lá há mais de três dias.
Estou escrevendo sobre isso porque depois de tantas saudades achei que tinha certa imunidade ao menos para o sofrimento alheio. Estava enganada. Ontem fui ao enterro de uma menina de 11 meses, Mariana, filha da professora da minha Bia. Não há palavras para descrever e mesmo eu que não conhecia a bebê e só tive contato com a mãe dela algumas vezes na porta da escola fiquei abalada. É uma tristeza sem fim.
Fiquei na dúvida se deveria ir ou não, por não ser íntima da família, mas aí pensei que se fosse um aniversário ou qualquer outro tipo de comemoração eu estaria lá. Foi muito triste, mas me senti aliviada por ter ido. Não há o que dizer, mas a pessoa te vê e reconhece sua disposição em dar apoio.
É isso. Só queria descarregar. E dizer que sou muitíssimo grata a pela minha família e amigos.

Marissa decide morrer



Não meus queridos três leitores, eu não errei o título. Faço parte da comunidade Paulo Coelho não é literatura, então, pouco me importa a decisão de Verônica ou Brida & Cia. Sorry Taty!

Este post é sobre Marisa Cooper do seriado The O. C.. Eu sei que o assunto tá bem ultrapassado, mas e daí?!

Eu a-do-ro qualquer seriado americano que tenha jovens drogados, brigas, traições adolescentes e, claro, alguma ironia. Quando tudo isso rola em um cenário paradisíaco fica mais fácil assistir. Tudo bem eu também curto Prison Break, mas vamos combinar que esse lance de ficar assistindo estupradores, ladrões, traficantes e assassinos sobrevivendo numa cadeia de segurança máxima nos EUA, fugindo pelo país para depois ter que fugir de Sona (um prisão mais barra pesada que a primeira e muito mais suja também!!!) e enfrentar a ‘companhia’ é meio deprimente. Por isso, eu me dedico aos seriados bobinhos, para ver desgraça eu sintonizo num telejornal.

De volta ao O.C., o que eu mais gosto nos seriados é observar como os roteiristas desenvolvem os personagens. Para o bem ou para o mal, sempre ocorrem mudanças 'sutis' que justificam o desenrolar da história e, como na vida, as pessoas vão mudando.

O vídeo acima é a parte final do último episódio da terceira temporada da série e na época foi o maior bafafá: uns dizendo que os caras haviam pirado em matar a Marissa e que isso decretava o fim da série; outros achando ótimo porque a Marissa era muito chata.

Alôou!!! Quem acha a Marissa chata não conhece a Kelly Taylor, essa sim deveria ter caído de um penhasco no primeiro episódio... Chata, traíra e – sabe-se lá porque – foi promovida a ‘mocinha’ do Barrados no Baile com a saída de Brenda Walsh... Quem sou eu para discutir?! Se o Dado ganhou um milhão, tudo é possível.

Quanto à série acabar pela saída de um personagem... Alôou!!! De onde vêm essas pessoas?! Todo mundo sabe que qualquer seriado adolescente esta fadado a acabar na quarta temporada quando as crianças terminam o colegial e vão pra faculdade!!! Tá bom. Em Dawson’s Creek tivemos seis temporadas. Felicity não entra nesta estatística porque o primeiro episódio já mostra a formatura do colegial, mas foram apenas quatro temporadas. E, bem, em One Tree Hill os roteiristas usaram de malandragem ‘pulando’ os quatro anos de graduação e iniciando a quarta temporada com os personagens voltando pra cidade natal após o período na facul - com isso atingiram a sétima temporada e eu me pergunto: 'Que tanto tem pra acontecer com esse povo?'. Barrados no Baile não conta porque virou uma novela mexicana com surpreendentes dez(!!!) temporadas. O mesmo aconteceu com o Melrose Place que contabilizou sete temporadas, sem pé, nem cabeça e sem fim. Felizmente, Everwood serve como exemplo para a minha cientificamente infundada estatística: foram apenas quatro anos de história.

Enfim, eu gosto dos Cohen, eles são tão ricos, lindos, legais e problemáticos... Uma vida! E a morte de Marissa é a melhor sequência da série, embora eu não tenha nada contra a personagem. Gosto da música, gosto da fusão de imagens com a cena da primeira temporada em que Ryan carrega a bêbada para casa e gosto, principalmente, porque ela morre e ponto. Não fica aquela coisa chata de novela das oito em que o moribundo começa a confessar seus pecados & amores no capítulo de sábado e só termina na segunda depois de um discurso emocionado de trinta minutos... Fala sério, é muita ficção. Marissa é uma Cooper, elegante, fina e, apesar de falida, esta sempre com uma bolsa Prada, enfim, alguém que sabe morrer.

Se você ainda não viu, assista. E se você achar uma droga assista a série inteira, talvez você ‘panhe’ amizade ao Seth.

P.S.1: Este post surgiu porque estou revendo TODAS as temporadas. Meu irmão e minha cunhada – pessoas de coração bão – me presentearam no dia das mães com a coleção da série e eu adorei. Só tive tempo de assistir agora, afinal, que graça tem ter os DVDs e assistir um episódio por dia? O bom é emendar um no outro.

P.S.2: Caso existam outras pessoas de coração bão nesse mundo, ainda não tenho – e gostaria muito de ter - as seguintes caixas: Dawson’s Creek, Felicity, Ewerwood.

P.S.3: Só para esclarecer o título não se refere ao abuso de álcool e cocaína ou ao relacionamento com Kevin... Marissa decide morrer simplesmente porque sua intérprete Mischa Barton saiu do elenco. Ou será que ‘saíram’ com ela?

Consegui

Blog normalizado... até a próxima pane. Foi bem simples: troquei o template até achar o antigo, substitui pelo o arquivado e troquei o template de novo, pelo mesmo de antes... Agora é só aguardar as cenas dos próximos capítulos ou fazer um cursinho de html.

Por algum motivo cibernético, além da minha vontade, este blog pirou de vez. Ao menos no meu monitor no lugar das imagens aparecem uns avisos nada agradavéis. Então deixarei este post até que o Murilim ou a Tia-Colega ou qualquer outra boa alma do outro lado da tela se compadeça da minha situação e me ajude a resolver o problema.

E por tudo isso ela tirou o mural da parede. Na verdade queria retirar as paredes, mas não é a delimitação do espaço físico que nos prende. O que nos torna prisioneiros são as recordações. Pouco importa a liberdade de ir e vir quando não há pra quem voltar. Tanto faz o caminho percorrido quando a largada vale mais que a linha de chegada...

E se você não sabe pra onde ir, nem dê o primeiro.




Era uma vez, um filme brazuca sensacional.

Thiago Martins dá vida – e parte da sua experiência de vida – ao personagem Dé, morador do morro do Cantagalo que insiste em trilhar o árduo e estreito caminho do bem. Mesmo quando as vielas da comunidade se ampliam para dar espaço a lei do mais armado.

Do quiosque em que trabalha na praia de Ipanema o 'Cinderelo' sonha com sua princesa Nina, interpretada por Vitória Frate. É esse romance que alinhava um roteiro fascinante, embalado por uma trilha tão primorosa quanto a vista da laje de Dé.

Sem estereótipos Breno Silveira narra a trajetória de quem precisa escolher a todo o momento até o instante em que não há opção.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Vale o passeio a locadora. Assista e me conte o que achou.

Bom D+

Quero consertar o carro, mas não abro mão de montar nossos quebra-cabeças.
Quero um laptop, mas não penso em deixar de assistir nossos dvds de princesas encantadas.
Quero revelar as centenas de fotos acumuladas nestes últimos três anos, mas prefiro compartilhar com você - ao vivo e em cores - cada momento.

Quero registrar que pela primeira vez, em décadas, essa libriana não tem a menor dúvida.

Bom D+ quando nossas escolhas nos levam por um caminho que ninguém imaginava, mas que surpreendentemente nos satisfaz.

E enquanto o futuro não chega, que tal mais uma partidinha de mico?

Sereníssima

Mesmo quando não há nada para dizer, sinto vontade de escrever. E esta arte de ir de nada para lugar nenhum, tecendo longos comentários sobre coisa alguma, me dominou já na primeira redação. Aquela que, de tão antiga, me escapa o tema.

Aos poucos tenho percebido que prefiro mais ler a escrever. Talvez porque acredite que lendo absorvo, discordo, conheço, lembro, e depois esqueço. Redigindo me apresento, compartilho, contrario, agrado, julgo, e mesmo quando esqueço, sou lembrada pelo registro daquele momento.
Muitas vezes não tenho nada publicável para dizer. Antes de cada post penso demais e por vezes desisto. Mesmo sabendo quem, provavelmente, lerá e por não saber, de fato, quem será censuro a identidade já tão exposta em outros dias.

Mas, hoje, surpreendentemente isso não me aflige. Certa de que muitas coisas estão a caminho, aguardo. E pouco me importa mudar de ideia em 24h.

Doe um sorriso!


Dias 06 e 07 de agosto a Operação Sorriso estará em ação no Rio de Janeiro, realizando triagem em crianças portadoras de fissuras lábio-palatais (lábio leporino e goela de lobo). A iniciativa começa as 8h, no Hospital do Fundão.

Você pode ajudar:

- Divulgando o evento para sua rede de contatos. Sempre tem alguém que conhece outro alguém que necessita do serviço em pauta.
- Sendo voluntário. Este tipo de ação envolve muitas pessoas e quem não é da área de saúde pode ajudar na organização, por exemplo. Nunca falta trabalho para um voluntário.

- Doando um quantia em dinheiro para a Operação Sorriso.

A Operação Sorriso percorre todo o Brasil, clique aqui para conhecer o projeto e saber quando esta turma estará na sua área.

Sempre +

Não esqueça

Não esqueça
Este blog está licenciado pela Creative Commons. É vetada a reprodução parcial ou integral desta obra sem a clara divulgação da fonte e autoria. Não serão permitidas utilizações comerciais ou derivações com base neste conteúdo. Em caso de dúvida, entre em contato.

Seguidores